A manutenção da integridade espiritual e o controle da mente
Um dos maiores desafios da vida é mantermos a conexão com o Universo frente à rotina e a monotonia do dia-a-dia. O enfrentamento das dificuldades e provas da vida diária esgotam nossa força e vitalidade.
Para o indivíduo desejoso da integridade espiritual e do domínio da mente, a maior de suas provas consiste em manter o equilíbrio perfeito de pensamentos e emoções frente às provocações incessantes causadas pelos fatos e acontecimentos da existência cotidiana.
O primeiro de muitos requisitos para se atingir o sucesso deste empreendimento é o entusiasmo, e este só se manifesta em uma mente conectada com o Universo ou pelo menos em processo de conexão.
O problema se resume na superficialidade mental. Os pensamentos e emoções, sendo rasos, nos levam a querer uma vida de emoções e sensações delirantes; esse tipo de vida serve como ópio, amortecendo nossos sentidos, havendo então um anseio por mais e mais excitações, sensações e entretenimentos. É importante dizer que a mente funcionando em níveis superficiais não pode ter experiências profundas = pode-se ser intensamente espiritual num mercado público, e não o ser em absoluto, embora vivendo num templo ou santuário.
A pessoa que vive superficialmente reclama constantemente da vida que leva, sente-se injustiçada e ressentida, culpando a tudo e a todos, julga-se barrada pelas circunstâncias em que está inserida, quer constantemente impedir a ação da vida ao invés de enfrentar os acontecimentos e procurar aprender com eles. O ser que vive de modo superficial nega a vida e esquece que ela é um constante vivenciar de possibilidades.
Como deixar de ter uma mente rasa? Como criar amplidão na mente, de forma que o seu contato com a vida possa ser profundo e duradouro?
Devemos pensar, questionar, experimentar novos modos de agir nas formas objetivas da vida, onde a primazia é o qualificar. Porém, para criar amplitude mental devemos ter uma mente que não tenha nenhum elemento de resistência em si, tanto no nível consciente como no inconsciente. A mente resistente perderá sua flexibilidade tornando-se insensível. Quanto maior for o espaço entre a nossa percepção e o nosso pensamento, mais profundos seremos como seres humanos, ou seja, os fatos do dia-a-dia e os desafios triviais não serão assimilados, e tão pouco existem para isso.
Assim, é imprescindível estar atento e alerta, consciente em todos os momentos para viver o agora.
O ser humano não percebe os contínuos desafios devido ao “biombo” colocado entre ele e o seu ambiente. Se a mente pudesse receber os desafios da vida sem emitir qualquer resposta de seus centros de memória, ela permaneceria purificada e vital. Usada corretamente, a mente é um instrumento magnético, entretanto, quando usada de forma errada ela se torna destrutiva.
Como vivemos em uma cultura dominada pela mente a maior parte da arte moderna, da arquitetura, da música e da literatura é desprovida de beleza e de essência, com raras exceções. A razão é que as pessoas que criam essas obras não conseguem livrar-se das suas mentes, nem mesmo por um momento, por isso, nunca estão em contato com o seu Eu Interior, onde se origina a verdadeira criatividade e beleza.
Quando tomamos consciência do ser, o que de fato acontece é que o ser se torna consciente de si mesmo. Quando o ser toma consciência de si mesmo isto é presença; é este o momento em que a consciência física faz a mescla com o Ser ou Eu Interno, também chamado de Eu Superior.
Para atingirmos o equilíbrio e o domínio desta mente precisamos fazer uma trégua, deixando de fazer comparações com o agora e com o ontem e libertar a persistente preocupação com o futuro. Tudo aqui neste mundo é emprestado, até a vida que vivemos.
Se vivermos o agora com respeito e com qualidade, trabalhando da melhor forma, relacionando-nos com reverência e vivendo cada momento como se fosse o único nos prepararíamos para o silêncio da mente e nele encontraríamos a fusão com as altas frequências, atingindo a qualificação da vida. Estas regras se referem ao momento glorioso em que a percepção se desperta e com ela nascem a confiança, o conhecimento e a certeza de que somos seres totalitários.
Quanto mais atenção dermos a sensação de interiorização com o Universo mais forte e clara ela ficará.
Lembrando sempre que atraímos o que vibramos, concluímos que o domínio da mente e a integridade espiritual é uma escolha possível de acontecer.
Guti Fraga