Será mesmo que já não temos vestígios fósseis de dragões?


A história do dragão é quase universal em todas as culturas antigas do mundo.


Onde este conceito global se originou? Como é que as sociedades de todo o mundo descreveram, gravaram, desenharam, costuraram e esculpiram tais criaturas em tal uniformidade, se não tivessem testemunhado essas criaturas durante suas vidas?


A história do dragão pode ser resumida da seguinte forma: “Os dragões de lendas são estranhamente como criaturas reais que viveram no passado. Eles são muito parecidos com os grandes répteis [dinossauros] que habitaram a Terra muito tempo antes do homem ter supostamente aparecido na Terra”. (Knox Wilson, “Dragão”, The World Book Encyclopedia, vol. 5, 1973, pg. 265.).


À luz desta afirmação do livro The World Book Encyclopedia, muitas pessoas não percebem que a paleontologia (estudo das eras geológicas com base principalmente no estudo de fósseis) é uma ciência relativamente nova. Na verdade, o conceito de dinossauros (lagartos gigantes) só surgiu em sua forma atual menos de 180 anos atrás, antes disso, qualquer pessoa que encontrasse um grande osso fossilizado simplesmente acreditava ser de um elefante, dragão ou gigante, não havendo qualquer noção de “ciência” atribuída a estas descobertas.


Foi em 1841 que o cientista inglês Richard Owens sugeriu que o grupo dos animais “recém-descobertos” fosse chamado de “dinossauros”, que literalmente significa “lagartos terríveis”. Ao longo das décadas seguintes, as primeiras representações artistas de dinossauros eram realmente cômicas quando comparadas com o que podemos discernir cientificamente hoje.

Por que, então, a cerâmica, roupas, pinturas rupestres e descrições escritas de “dragões” de 2.000 a 4.000 anos atrás representam os dinossauros de melhor forma do que a ciência em meados dos anos 1800? Onde estão todos esses relatos da história do dragão? Na verdade, vamos começar com a Bíblia, o livro mais amplamente divulgado na história. Uma busca pela palavra “dragão” na versão do Rei James da Bíblia revela 34 passagens separadas, em 10 diferentes livros escritos aproximadamente entre 2000 aC e 90 dC. A palavra “dragão” (em hebraico: tannin) é usada em todo o Antigo Testamento, e mais diretamente traduzida como “monstro do mar ou terra”. No livro de Jó, o autor descreve as criaturas grandes, Beemote (Jó 40) e Leviatã (Jó 41). Apesar das últimas traduções da Bíblia usarem a palavra elefante, hipopótamo e crocodilo, em vez de Beemote e Leviatã, o original hebraico e o contexto das descrições não permitem essas interpretações.


Claro que a história do dragão não é de nenhuma forma limitada à Bíblia. As narrativas sobre dragões da China, Europa, Oriente Médio e América Latina compartilham relatos semelhantes de “dragões” e outras feras. Algumas culturas reverenciavam estas criaturas. Por exemplo, os registros de Marco Polo na China mostram que a casa real mantinha dragões para cerimônias e dragões eram caçados como alimento e medicina na província de Karazan. Registros do historiador grego Heródoto e do historiador judeu Flávio Josefo descrevem répteis voadores no antigo Egito e Arábia Saudita.


O mito do dragão, na China, é muito antigo, mais antigo que o seu correspondente ocidental. O dragão (lóng, em mandarim) é identificado com a própria China. É frequente os chineses referirem-se a eles próprios, orgulhosamente, como “descendentes do dragão”. Como símbolo do Imperador e do Poder imperial chinês, o dragão atravessa toda a cultura chinesa e molda-a até aos nossos dias. Além disso, na China o dragão não é uma figura maléfica. O Dragão, um dos doze signos do zodíaco chinês, é visto como a criatura mítica divina que traz a abundância, a prosperidade e a boa sorte. O dragão chinês simboliza o poder e a valentia, o heroísmo e a perseverança. Ele é enérgico, decisivo, otimista, inteligente e ambicioso. Ao contrário do que sucede com os dragões ocidentais, a maior parte dos dragões orientais é bela, benévola e sábia. Em vez de temidos, são amados e venerados. São construídos templos em sua honra, uma vez que eles controlam a chuva, os rios, os lagos e os mares.

O mito chinês do dragão baseia-se, muito provavelmente, na descoberta de restos fossilizados de grandes dinossauros. E se não estiveram na sua origem, os dinossauros, no mínimo, deram-lhe corpo! Há escritos, datados do século III-IV, dinastia Jin do Ocidente, relatando a descoberta de “ossos de dragão” enterrados na província chinesa de Sìchuan, região rica de fósseis de dinossauros. Na China, a associação dos dinossauros e dragões é de tal modo profunda, que o termo atual em chinês, mandarim, para dinossauro é kong lóng, que significa, literalmente, terrível dragão.


Texto compilado por Guti Fraga


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